Alimentação fora do lar Alimentação A indústria ainda está distante da Alimentação Fora do Lar

Para os brasileiros em geral, o mercado da alimentação fora do lar representa a manteiga embalada que os espera na mesa do restaurante, o sachê de mostarda oferecido na padaria, o saquinho de açúcar que adoça o café da manhã tomado no hotel. Aos olhos da indústria de alimentos e bebidas, este setor, formado por toda a cadeia de produção e distribuição de refeições fora do lar, significa uma demanda crescente por matéria-prima que ainda não conseguiu encontrar uma oferta estruturada, mesmo oferecendo em troca bilhões de reais em compras por ano.

Ainda que o setor de refeições fora do lar já venha crescendo a taxas de dois dígitos nos últimos vinte anos, foi só a partir de 2003 que a indústria de alimentos e bebidas percebeu que poderia embarcar nessa onda fornecendo matéria-prima em condições ideais para a produção de refeições. Encontrar embalagem, temperatura, quantidade de produto adequados para que cada estabelecimento possa ganhar agilidade e eficiência no serviço prestado ao cliente era tudo o que bastava para se criar um novo mercado consumidor. Dez anos depois, a oferta já está formada, mas ainda não consegue acompanhar o ritmo de crescimento do food service. Muitos operadores da Alimentação Fora do Lar ainda têm de recorrer a mercados atacadistas, concentrando a energia nas compras e descuidando do atendimento.

Aproximadamente 1,5 milhão de estabelecimentos – entre restaurantes, hotéis, padarias, lanchonetes, empresas de catering e outros – produzem refeições no Brasil. Eles se aproveitam de uma tendência da população brasileira, a de cada vez menos cozinhar a própria comida. De acordo com alguns estudos, a cada quatro refeições que uma pessoa faz hoje no Brasil, mais de uma é feita fora de casa. Com a mulher cada vez mais presente no mercado de trabalho e ausente no lar, essa proporção deve crescer nos próximos anos, expandindo ainda mais o mercado de food service. Dentro de dez anos, o brasileiro fará duas das quatro refeições fora do lar.

Os números do setor são o maior estímulo para que a indústria se prepare para atender bares, lanchonetes e restaurantes, entre outros: nos últimos dez anos, as vendas das companhias de alimentos e bebidas para os operadores de food service chegaram em 2.012, a R$ 242.8 bilhões,representando uma importante contribuição para o setor alimentício como um todo, que faturou R$ 431.6 bilhões. Nos últimos dez anos, os setores ligados a Alimentação Fora do Lar (Food Service) cresceram 292,3%, ante índice de 209% do varejo alimentício tradicional. O crescimento da alimentação preparada fora do lar cresceu a taxas médias de 12% neste período. Nos Estados Unidos, onde a população faz 60% de suas refeições fora do lar, esse valor deve alcançar 622 bilhões de dólares neste ano.

Além de tudo, já está provado que a alimentação fora do lar é mercado consumidor que garante ganhos ao vendedor. Na contabilidade das dez principais indústrias que atendem o setor de refeições fora do lar, a participação da alimentação fora do lar no faturamento fica entre 7% e 10% – já no lucro, o setor ganha peso e é responsável por 15% a 18% do total. O mercado da alimentação fora do lar é extremamente rentável para a indústria de alimentos e bebidas porque não tem o custo do canal, como gastos com campanhas promocionais dentro do supermercado, por exemplo”.

A medida mais urgente a ser tomada pela indústria é descobrir as necessidades dos operadores da alimentação fora do lar, principalmente dos menores, que ainda preferem recorrer aos centros atacadistas por questões de custo. Esta barreira pode ser vencida com uma estratégia simples: a exposição direta. O que falta é as empresas criarem ou encontrarem distribuidores que mostrem os produtos a esses pequenos operadores. Chance para isso haverá ainda neste mês, em São Paulo, onde uma feira reunirá cerca de 2000 empresas do setor, entre indústria, operadores e distribuidores.

 

 

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