Diversos Brasil precisa investir mais em infraestrutura para crescer, diz ONU

O crescimento econômico global vai continuar “abaixo do seu potencial” este ano, segundo um relatório divulgado nesta quinta-feira (23) pelas Nações Unidas. O documento enfatiza que a criação de empregos será vital para estimular a recuperação da economia. A atualização da Situação Econômica Mundial e Perspectivas 2013 ressaltou que, desde o final de 2012, novas iniciativas nas principais economias desenvolvidas têm reduzido riscos sistêmicos e ajudado a estabilizar a confiança dos investidores, das empresas e dos consumidores, mas melhoraram muito pouco o crescimento econômico. Brasil precisa investir mais em infraestrutura para crescer.

Segundo o documento, o Brasil deve crescer 3% este ano, impulsionado por uma recuperação na demanda por investimento – após o afrouxamento da política monetária – e pela redução nos custos de energia e impostos sobre os salários.

Na perspectiva para os próximos dois anos, a ONU afirma que o crescimento em algumas economias em desenvolvimento deverá se fortalecer, como nos casos do Brasil e da Índia. Para outras, no entanto, o risco de uma nova desaceleração do crescimento permanece considerável.

“A principal prioridade para os formuladores de políticas públicas em todo o mundo deveria ser o apoio à recuperação global robusta e equilibrada com foco na criação de empregos”, disse Shamshad Akhtar, secretária-geral adjunta da ONU para o desenvolvimento econômico.

Akhtar observou que a desaceleração econômica foi substituída por “melhorias mensuráveis”, como a recuperação dos Estados Unidos e o crescimento de 3,5% do Japão no primeiro trimestre de 2013. Porém, ela acrescentou que as economias emergentes estão crescendo abaixo de seu potencial.

Na atualização do documento, o crescimento do produto bruto mundial foi revisado para 2,3% em 2013 e 3,1% em 2014. “O relatório alerta para riscos que podem atrapalhar a recuperação frágil da economia global”, disse um comunicado à imprensa sobre o documento. “Os riscos em curto prazo associados à situação na zona do euro, aos ajustes fiscais nos EUA e à forte desaceleração dos países em desenvolvimento diminuíram, mas não acabaram.”

Além disso, alguns riscos em médio prazo surgiram, incluindo possíveis efeitos negativos das “medidas monetárias não convencionais” em países desenvolvidos, como o Japão e os Estados Unidos, sobre a estabilidade financeira mundial. O relatório ressalta ainda que em importantes países emergentes — como Rússia, Brasil, China e Índia — há uma desaceleração significativa do produto interno bruto (PIB) nos últimos dois anos.

Desemprego é desafio político estratégico

O documento observa que a situação do emprego continua sendo um desafio político estratégico para vários países. O desemprego na zona do euro chegou a taxas nunca antes vistas e tem previsão de 12,8% para 2014.

Já nos EUA, o desemprego diminuiu, mas continua alto em comparação com outros períodos da história. A taxa deve chegar a 7% em 2014.

Na maioria das regiões em desenvolvimento, o mercado de trabalho não sofreu com a baixa demanda.

Em países da América do Sul e do leste da Ásia as taxas de desemprego ficaram abaixo dos níveis observados antes do início da crise financeira de 2008. Por outro lado, o emprego continua sendo um problema em muitos países africanos, apesar de relativo crescimento nos últimos anos

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