Números do Setor Brasil tem o pior retorno de imposto à população, diz estudo

Dos 30 países com maior carga tributária, Brasil é onde os impostos são menos revertidos em qualidade de vida, segundo estudo do IBPT. Foi com isto em mente que o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação) cruzou os dados de carga tributária em relação ao PIB com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 30 países.

Brasil continua na última posição

Os dados de impostos são da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e se referem ao ano de 2012. Eles medem a participação do valor total dos impostos municipais, estaduais e federais na riqueza total gerada pela economia.

O IDH foi criado pela ONU para medir a qualidade de vida e o bem-estar de uma população, com base em critérios de educação, riqueza e longevidade, entre outros.

Entre os 30 países de maior carga tributária do mundo, o Brasil é a nação que proporciona o pior retorno dos valores arrecadados em serviços à população, como saúde, educação, transporte, segurança e saneamento. Segundo o estudo, os Estados Unidos ocupam a primeira posição no ranking, oferecendo o melhor retorno a seus cidadãos. Em seguida, aparecem Austrália e Coreia do Sul. Último colocado, o Brasil fica atrás inclusive de nações vizinhas, como Uruguai (13ª posição) e Argentina (21ª posição).

O destaque dessa quinta edição do estudo, que analisa a carga tributária de 2012, é a Bélgica. O peso dos tributos para o país era de 44% em 2011, o que o deixava na 25ª posição do ranking. A nação europeia reduziu sua carga de impostos para 30,70% e agora ocupa a 8ª colocação.

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“O Brasil, no entanto, permanece como o último colocado e, apesar de registrar sucessivos recordes de arrecadação de tributos, ainda não oferece condições adequadas para o desenvolvimento da sociedade”, disse o presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike.

Metodologia

Para mensurar o retorno dos serviços prestados à população, o IBPT criou o índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (Irbes). O indicador é resultado da soma da carga tributária em relação ao PIB, que representa 15% da composição do índice, e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com peso de 85%.

Cruzando os dois, o IBPT criou o IRBES (Índice de Retorno de Bem Estar à sociedade). Quanto maior o valor, melhor é o retorno da arrecadação para a população.

O peso maior foi para o IDH, pois o estudo entende que o bem-estar elevado “é muito mais representativo e significante do que uma carga tributária elevada”.

O top 3 continua sendo o mesmo da última edição do IRBES: Estados Unidos, Austrália e Coréia do Sul. Chama a atenção a ascensão da Bélgica, que foi do 25º para o 8º lugar.

O Irbes do Brasil é de 135,34 pontos, enquanto o dos Estados Unidos é de 165,78.

O Brasil continua na última posição, logo atrás de Itália, Dinamarca e França. O Uruguai ficou na 8ª posição e a Argentina na 24ª.

 

Veja a tabela completa:

 

  Carga Tributária IDH IRBES
Estados Unidos 24,3% 0,937 165,78
Austrália 26,5% 0,929 163,49
Coreia do Sul 26,8% 0,909 161,45
Irlanda 28,3% 0,916 160,32
Suíça 28,2% 0,913 160,18
Japão 28,6% 0,912 159,63
Canadá 30,07% 0,911 157,85
Bélgica 30,7% 0,897 155,94
Nova Zelândia 32,9% 0,919 155,28
Israel 31,6% 0,900 155,16
Eslováquia 28,3% 0,840 153,86
Espanha 32,9% 0,885 152,39
Uruguai 26,3% 0,792 152,08
Alemanha 37,6% 0,920 149,96
Islândia 37,2% 0,906 149,23
Grécia 33,8% 0,860 149,23
Reino Unido 35,2% 0,875 148,90
República Tcheca 35,5% 0,873 148,38
Eslovênia 37,4% 0,840 147,81
Noruega 42,2% 0,955 147,65
Luxemburgo 37,8% 0,875 145,91
Áustria 43,2% 0,895 141,40
Suécia 44,3% 0,916 141,15
Argentina 37,3% 0,811 141,04
Hungria 38,9% 0,831 140,90
Finlândia 44,1% 0,892 140,11
Itália 44,4% 0,881 138,83
Dinamarca 48% 0,901 136,39
França 45,3% 0,893 138,81
Brasil 36,27% 0,730 135,34

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