Diversos Comércio é incentivado a usar geradores em horário de pico

O sistema de bandeiras tarifárias nas contas de luz, em vigor desde o início de janeiro, já vai sofrer ajustes. Está na mesa da presidente Dilma Rousseff um decreto que aumenta, em torno de 50%, o valor máximo da “tarifa extra” paga pelos consumidores quando os reservatórios das hidrelétricas estiverem baixos. No caso da bandeira vermelha, que sinaliza o acionamento intensivo das usinas térmicas, o valor deve subir dos atuais R$ 30 para cerca de R$ 45 por megawatt-hora (MWh).

Ritmo de produção no horário de pico

Para contornar a crise, além de conversas com donos de shopping centers e supermercados para forçar o uso de geradores nos estabelecimentos comerciais, o governo pretende negociar diretamente com grandes indústrias eletrointensivas, principalmente aquelas que geram sua própria energia. A tentativa é convencê-las a diminuir o ritmo de produção no horário de pico, entre 14h e 16h, e fazê-las injetar no sistema interligado o excedente de energia. Só com o uso dos geradores, conforme estimativas reservadas do governo, seria possível obter 1,5 mil megawatts.

Diante do agravamento da crise no setor elétrico, a vertente financeira não é mais a única fonte de preocupação do governo, que coloca a garantia de oferta como prioridade máxima. O embrião de uma ampla campanha publicitária, com apelo à redução voluntária do consumo, já se encontra no Palácio do Planalto.

A campanha aguarda, porém, aval da presidente Dilma para seguir adiante. Nada será executado antes do carnaval. No dia 12, a princípio, haverá uma reunião de avaliação do quadro de abastecimento energético. A partir daí, podem surgir medidas concretas, mas o objetivo do governo é circunscrever todas as ações a uma “racionalização” de energia – com foco na economia espontânea, marcando diferença em relação ao racionamento de 2001, quando houve redução compulsória de 20% nas residências.

Apesar do reconhecimento de gravidade da crise, o Planalto avalia que nada se compara à situação hídrica de São Paulo e o diagnóstico de assessores presidenciais é que um cenário caótico aguarda os paulistas. O clima é de cooperação entre Dilma e o governador Geraldo Alckmin (PSDB), mas isso não elimina a existência de algumas arestas. Na sexta-feira, quando esteve em Brasília, Alckmin levou uma “reprimenda” da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, depois que seus auxiliares disseram ter alertado a população com antecedência sobre o colapso do sistema Cantareira e terem insinuado suposto tratamento discriminatório da ANA (Agência Nacional de Águas) contra o Estado de São Paulo.

A linha de defesa de Alckmin começa a ser de que o governo paulista agiu de forma mais rápida e transparente do que o Rio de Janeiro ou Minas Gerais. Na avaliação reservada do Planalto, o Rio conseguirá atravessar o ano de 2015 sem um colapso no abastecimento de água, embora tenha que usar o volume morto de suas principais represas. Em Minas, auxiliares da presidente garantem que não será difícil jogar toda a responsabilidade pela crise hídrica no colo do PSDB, que governou o Estado nos últimos 12 anos.

O Planalto já tem sinais de que a popularidade de Alckmin teria despencado, nas últimas semanas, mas a ordem é despolitizar a questão porque o sofrimento dos paulistas será grande, nas palavras de um assessor. Só um fato foi comemorado: a nomeação de Jerson Kelman, ex-presidente da ANA e da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), para o comando da Sabesp. Ele goza da confiança absoluta da própria Dilma.

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