Números do Setor Educadores financeiros recomendam corte geral de despesas, uso restrito do cartão e...

Em meio ao cenário de aperto do orçamento familiar, o melhor é vacinar o bolso contra ameaças em volta e o encarecimento das contas de luz, já amplamente divulgado, devido à crise do setor elétrico. O momento não é de se endividar, e sim de reforçar a caderneta de poupança, diante da redução da oferta de empregos e da expansão dos rendimentos, seja em razão do crédito caro e escasso, como recomenda o economista Luiz Rabi, da Serasa Experian.

Equilíbrio é a palavra de ordem

O ideal, reforça ele, é manter aplicado valor equivalente a, pelo menos, seis vezes o valor do salário em caso de uma eventual demissão. “O grande segredo para a família é que todos se unam em torno de um projeto de vida. Resgatar os sonhos abandonados em 2014 e descobrir por que não se concretizaram. Certamente, perceberão que faltou planejamento e previsões para o futuro”, explica o educador financeiro Reinaldo Domingos, da consultoria DSOP. Ele afirma que equilíbrio é a palavra de ordem. “Só há prazer em cortar despesas se houver recompensa.”

O consumidor deve, ainda, evitar exageros nas idas às lojas e aposentar o cartão de crédito, quando possível. Uma dica é usá-lo apenas em situações indispensáveis, ou na ausência de desconto para o pagamento à vista da compra de um bem. Pior do que adiar um sonho de consumo, lembram os educadores financeiros, é estourar os gastos no cartão e ter de recorrer ao parcelamento rotativo, cuja taxa média de juros supera 258,26% ao ano. A mesma dica vale para o cheque especial. Quem não consegue se controlar, é melhor não tê-lo — e evitar encargos anuais de 179%.

Conta de luz 45,7% mais cara

A mesma cautela vale para quem tem filhos. Dizer não a eles nunca é fácil, mas, diante do momento de aperto financeiro, é preciso impor limite aos gastos com presentes e passeios. “Não caia na doce chantagem dos pequenos. Se insistirem em levar o que não precisam, lembre-se de que o dinheiro gasto ali fará falta. Eles terão de escolher entre aquilo e, por exemplo, a sonhada bicicleta no Natal”, lembra Reinaldo Domingos.

É possível, também, economizar nas compras no supermercado. Para isso, diz a educadora financeira Silvia Alambert, do The Money Camp, o consumidor tem de seguir dicas simples, como nunca fazer compras com fome. “O risco de levar supérfluos é maior”, conta. Outra estratégia é trocar itens de marcas mais caras por produtos de marca própria do estabelecimento comercial. “Em um cálculo simples, chegamos a uma economia de 30%”, revela.

Neste ano, que já começou sob o risco de racionamento de energia, a conta de luz ficará, em média, 45,7% mais cara. Pior para quem, além de correr o risco de ficar no escuro, poderá ser obrigado a racionar a água até mesmo do banho diário. Em estados a exemplo de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, o risco de cortes no abastecimento de água é discutido com a população.

Para fugir do aperto financeiro, o melhor é evitar desperdícios nos itens de consumo do dia a dia, como a água. Um buraco de dois milímetros no encanamento suga, por exemplo, até 3 mil litros por mês. Já uma torneira mal fechada pode despejar 46 litros por dia, o que significa perda superior ao conteúdo de uma caixa d’água com capacidade de 1 mil litros por mês.

Medidas sustentáveis, como captar água da chuva ou do chuveiro, podem, da mesma forma, garantir uma boa economia na conta de água. O diretor de Varejo da Aqualimp, Vinicius Ramos, destaca que há equipamentos capazes de ajudar a captar e armazenar a água pluvial ou do sistema público. A tecnologia permite, ao fim de um ano, economia com o uso que chega a R$ 1,2 mil.

Defenda o bolso

Dicas úteis para proteger o orçamento familiar em tempos de incerteza

1. Economize água. Olho no vazamento. Um buraco de dois milímetros no encanamento desperdiça até três mil litros de água por mês. E uma torneira mal fechada pode desperdiçar 46 litros por dia. Mesmo que não tenha vazamentos, o uso de torneiras deve ser moderado. Fazer a barba com a torneira aberta, por exemplo, gasta de 12 a 20 litros por minuto.

Na cozinha. Ensaboe a louça com a torneira fechada e depois enxágue tudo de uma só vez. Lavar as louças com a torneira aberta pode desperdiçar até 105 litros. A opção pela máquina de lavar louças também é mais eficiente, já que o aparelho consome, em média, 60% menos água. Mesmo assim é importante usar a máquina só quando estiver cheia, pois ela consome, pelo menos, 40 litros a cada lavagem.

Manutenção de calçadas e jardins. Use a vassoura quando for limpar o quintal e calçadas. Se for necessário lavar o chão, dê preferência a fontes de reuso, como a água que sai do enxágue da máquina de lavar, ou a itens que evitam o desperdício, como a mangueira com esguicho-revólver ou o regador. O mesmo também pode ser feito para regar jardins.

O seu banho e o do carro. Molhe-se, feche o chuveiro e só então comece a se ensaboar. Seguir esse ritual diário poderá reduzir o consumo de água de 180 para 48 litros. Uma economia adicional de três litros pode ser obtida ao usar um copo d’água para escovar os dentes. E, de até 600 litros por dia, se for usado um balde grande em vez da mangueira ao lavar o carro.

2. Controle a conta de luz. Atenção ao selo Procel. Ao comprar um equipamento elétrico, verifique se ele tem o selo Procel, de eficiência energética. A classificação é feita por letras, de A a G, sendo A a que consome menos energia, e G a que consome mais.

Tire aparelhos da tomada. esmo desligados ou em modo stand-by, os eletrodomésticos e eletroeletrônicos conectados à tomada consomem bastante energia. Desplugá-los quando não estiverem em uso pode representar uma economia de 12% na conta de luz todo mês. Outra dica é tirar carregadores da tomada após carregar a bateria do celular e de outros equipamentos.

Manutenção adequada.

Limpe os filtros do ar-condicionado pelo menos a cada seis meses. O acúmulo de sujeira exigirá potência maior do equipamento para gelar o ambiente. O mesmo cuidado deve ser tomado com a geladeira. Evite posicioná-la perto do fogão ou do forno elétrico e, sempre que possível, verifique se a borracha de vedação está em bom estado.

Olho nas lâmpadas. Substituir lâmpadas incandescentes por outras mais eficientes garante economia de até 80% na conta de luz. Mais baratas na hora da compra, as lâmpadas incandescentes são um péssimo negócio a médio e longo prazo.

Barato que sai caro. Tome como exemplo o valor gasto para iluminar um ambiente durante aproximadamente três anos. Com lâmpadas incandescentes, o gasto médio, incluindo a compra e ou troca dos equipamentos, que têm durabilidade reduzida, ultrapassaria os R$ 600. O mesmo ambiente iluminado por equipamentos com luz fluorescente custaria ao bolso cerca de R$ 170. Mas, se a escolha fosse por uma lâmpada LED, a despesa cairia para R$ 130.

Durabilidade reduzida. Enquanto a vida útil de lâmpadas incandescentes é de mil horas, luminárias fluorescentes duram, em média, oito mil horas. A campeã nesse quesito é a lâmpada de LED, cuja vida útil ultrapassa as 25 mil horas. Outro problema é a baixa eficiência energética. Nos itens incandescentes, apenas 5% da energia consumida vira luz. O restante gasto se perde em calor. As desvantagens são tantas que, a partir deste ano, já não é mais possível adquirir lâmpadas incandescentes de 100W. Outros modelos, de 60W, 40W e 25W, serão substituídos até 2016.

3. Corte gastos. Na ponta do lápis. Anote todas as despesas, rendas e planeje gastos que são indispensáveis. Os excessos devem ser eliminados, assim como gastos supérfluos. Junte a família e converse sobre a situação financeira, tentando construir, juntos, uma solução para cortar gastos de forma que todos têm a contribuir.

Cartão de crédito. Somente o carregue para lugares onde precisará usá-lo. Se for passear ou tomar um sorvete, retire-o da carteira. Leve apenas a quantia necessária. Os juros do cartão estão, em média, em 258,26% ao ano.

Cheque especial. Só deve ser usado se tiver dinheiro na conta. Nunca ultrapasse seu saldo e evite entrar no vermelho. Se não é possível controlar o gasto, a melhor escolha é abrir mão desse tipo de crédito. A taxa do cheque especial é de 179% ao ano.

No supermercado. Nunca vá às compras com fome. O risco de comprar supérfluos é maior. Evite comprar itens de marcas mais caras e, sempre que for possível, procure se informar se o estabelecimento tem marca própria do item que deseja. Em alguns casos, a simples troca pode resultar em economia de até 30%.

De olho nas crianças. Só leve crianças às compras se tiverem educação financeira. Não caia na doce chantagem dos pequenos. Se insistirem em levar o que não precisam, lembre-se que o dinheiro gasto naquele momento fará falta no futuro. Eles terão que escolher entre saciar a vontade momentânea, por exemplo, e a sonhada bicicleta no Natal.

Não faça dívidas à toa. A inflação e os juros em alta vão elevar a fila do desemprego. Para se precaver de surpresas indesejáveis, é preciso manter uma poupança com, pelo menos, seis vezes o valor do salário atual reservado para uma eventual necessidade.

Economize gasolina. Saia de casa em tempo suficiente para fazer o seu caminho com uma velocidade menor. Uma redução de 10% na velocidade pode ter impacto de mais 25% no consumo.

Carro em dia. O motorista deve trocar as marchas de forma a se manter dentro delas. Acelerações e freadas bruscas provocam aumento expressivo no consumo de combustível. Pneus descalibrados aumentam o consumo do veículo e o desgaste dos itens. Sempre que possível, utilize transporte coletivo ou divida o trajeto com os colegas. Por fim, faça manutenção periódica do veículo. Troque regularmente o óleo do motor, os filtros de ar e de combustível para ampliar a vida útil do motor.

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