Indústria da Alimentação Indústria Empresas de bebida crescem com aposta em produtos naturais

Pequenos fabricantes ganham espaço no mercado ao produzir sem conservantes e investir em sabores originais. A Do Bem desenvolveu tecnologia de embalagem a vácuo que permite a venda de sucos sem conservantes

Pequenos fabricantes conquistam seu espaço

Com uma taxa de crescimento na casa dos dois dígitos, o mercado de bebidas prontas cresce a passos largos no Brasil. Para se ter uma ideia, um levantamento realizado pela consultoria Nielsen revelou que, nos oito primeiros meses de 2013, as vendas de sucos cresceu 10,5%, enquanto a expansão de chás líquidos foi de 10,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. E nesse mercado dominado pelas grandes multinacionais, pequenos fabricantes nacionais de sucos estão conquistando seu espaço ao investir em produtos mais naturais e com uma linguagem visual mais descontraída.

É o caso da Do Bem, que desde 2009 aposta em sucos totalmente naturais, produzidos sem o uso de conservantes. “A ideia surgiu dois anos antes, quando eu me perguntei porque não era possível encontrar um suco feito somente de frutas em uma caixinha”, revela Marcos Leta, fundador da empresa.

Após passar alguns meses pesquisando junto a engenheiros de alimentos no Brasil e no exterior, ele encontrou a tecnologia de embalagem a vácuo necessária para tornar sua idéia realidade. “Lá fora, percebi que a oferta de frutas existente no Brasil fazia com que o país fosse um dos únicos do mundo com capacidade de produzir uma bebida de qualidade desta maneira, pois os outros locais precisam importar a matéria-prima, fazendo com que ela perca frescor e nutrientes”, diz.

Foco no mercado interno

Para completar, a Do Bem ainda adota uma estratégia de comunicação bem próxima do consumidor, com embalagens alegres e coloridas, cheias de mensagens em uma linguagem informal e muitas vezes engraçada. A estratégia parece ter dado certo, afinal a empresa já conta com 10 sabores, está presente em nove estados e conta com um faturamento que cresce na casa dos três dígitos por ano.

“As grandes corporações se distanciaram muito do consumidor, e nós queremos ir na direção contrária. Por isso, sequer temos um SAC. Quando alguém nos liga, cai direto no departamento de marketing, e todos estão aptos a dar os esclarecimentos necessários. Além disso, procuramos responder a todos os e-mails em menos de 24h”, acrescenta Leta.

Outra estratégia interessante foi a adotada pela Beba Rio, que começou em 2008 com o foco no mercado exterior, mas aos poucos notou o potencial do mercado consumidor brasileiro e decidiu investir no país, obtendo resultados positivos. “A ideia surgiu quando eu fazia meu projeto de pós-graduação, e decidi, em conjunto com um colega, exportar um produto típico do Brasil, a água de coco”, lembra Francisco Montans, sócio responsável pelo marketing da empresa.

Inicialmente, as exportações se concentravam em Portugal e Espanha, e eram acompanhadas por uma forte campanha publicitária, para explicar ao público europeu os benefícios da água de coco. “Naquela época, ela ainda era desconhecido nestes países. No entanto, quando nos voltamos para o mercado interno, este trabalho não foi necessário, e passamos a diversificar nossos produtos acrescentando sabores brasileiros, como lichia e capim santo, que tiveram ótima aceitação”, conta Montans.

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