Diversos Estudo aponta que sobrepeso e obesidade elevam risco de câncer

De acordo com levantamento, 10 dos 22 tipos mais comuns de câncer tem o desenvolvimento afetado pelo excesso de peso; Presidente da SBCBM – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica ressalta que a redução de peso auxilia no combate a diversos tipos de doença, entre elas o câncer

Relação direta entre a doença e o IMC

Um estudo publicado  na Revista inglesa “The Lancet”, realizado no Reino Unido com 5 milhões de pessoas saudáveis avaliadas durante sete anos, aponta o sobrepeso e a obesidade como responsáveis pelo aumento dos riscos de 10 tipos de cânceres entre os 22 mais comuns, devido à relação direta entre a doença e o IMC – Índice de Massa Corporal [peso / (altura x altura)].

Dessa maneira, segundo os autores, o aumento de 5 kg/m2 no IMC de uma pessoa obesa consequentemente eleva o risco de câncer de útero em 62%, de vesícula em 31%, de rim em 25%, de colo de útero, 10% e de tireoide e leucemia em 9% para cada caso. Também foram registrados aumentos nos casos de câncer de fígado, colorretal, ovário e mama. Para os casos de IMC menores que 30, ou seja, na faixa de sobrepeso, o estudo também aponta um grau maior para riscos da doença.

Cirurgia Bariátrica

A relação excesso de peso e surgimento de doenças já é conhecida pelos pesquisadores e diversos estudos apontam, entre outras soluções, a cirurgia bariátrica como uma excelente opção, tanto no combate à obesidade quanto às doenças associadas como hipertensão, dislipidemia, apneia do sono, problemas ortopédicos severos, diabete tipo 2 e até mesmo o câncer.

Um recente estudo da Universidade da Califórnia (EUA) junto com o Moores Cancer Center revelou que o risco de uma mulher ter câncer de útero diminui consideravelmente para margens entre 71% e 81%, com a cirurgia bariátrica.

De acordo com o Dr. Almino Ramos, Presidente da SBCBM – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, um dos temas mais estudados atualmente é a diminuição de casos de câncer (cólon, próstata, mama e útero) em pacientes que realizaram cirurgia bariátrica.

“O benefício principal da cirurgia bariátrica, além da perda de peso, é combater as doenças associadas e promover uma melhor qualidade de vida aos pacientes, não só em termos de saúde, mas também na esfera social e psicológica. As perspectivas são animadoras para reduzir a incidência de uma grave doença que atinge milhões de pessoas em todo o mundo”, comenta Dr. Almino.

Popularmente conhecida como redução do estômago, a cirurgia bariátrica vem crescendo expressivamente no Brasil, que já é o segundo país com mais cirurgias realizadas, com cerca de 80 mil procedimentos por ano, atrás apenas dos Estados Unidos que realizam cerca de 140 mil cirurgias anualmente. Do número total de cirurgias feitas no Brasil estima-se que 10% são feitas pelo SUS. O número de procedimentos cresceu 90% nos últimos cinco anos e 300% em dez anos.

Quando a cirurgia é indicada

A cirurgia bariátrica é indicada quando o médico e o paciente se convencem que as tentativas colocadas em prática para eliminar peso por meio de tratamento clínico, como exercícios físicos, reeducação alimentar e medicamentos, não surtiram o efeito esperado. A indicação também envolve análise de índice de massa corpórea e outros fatores como as doenças que o paciente apresenta e que são relacionadas com a obesidade, as chamadas comorbidades. Obesidade mórbida ocorre com o excesso de peso de 40 a 45 kg ou quando a obesidade está associada a doenças graves como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e apneia do sono.

Não existem limitações com relação a idade sendo que em geral se passa a considerar a possibilidade de indicação da operação para pessoas acima de 16 anos. Em idosos, muito mais que a idade, existe uma preocupação com a condição clínica para a cirurgia, principalmente do ponto de vista cardiovascular e pulmonar. O preparo sempre deve ser feito de modo multidisciplinar envolvendo além do cirurgião, endocrinologista, cardiologista, educadores físicos, fisioterapia, enfermagem, odontologia, fonoaudiologia, nutricionista e nutrólogo e psiquiatra e psicólogo.

A SBCBM – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica foi fundada em 1996. Inicialmente batizada como SBCB – Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica, em 2006 a entidade inseriu a palavra “Metabólica” em seu nome, devido à crescente importância da cirurgia metabólica na comunidade médica.

Possui atualmente cerca de 1260 sócios entre cirurgiões e especialidades associadas (endocrinologista, cardiologista, educadores físicos, cirurgiões plásticos, fisioterapia, enfermagem, odontologia, fonoaudiologia, nutricionista e nutrólogo e psiquiatra e psicólogo) com representantes em todo o país por meio de 14 capítulos (Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo) e 10 delegacias (Alagoas, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Rondônia, Sergipe e Tocantins).

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