Alimentação fora do lar Alimentação Existe espaço para os hipers em mercados maduros e competitivos?

O tema é recorrente e continuará a ser, pois a realidade se transforma a cada momento e cria novos e maiores desafios para os grandes formatos de lojas, em todos os setores e nos diversos mercados do mundo.

Carrefour na França há mais de 50 anos

A começar pelo mercado europeu, onde o hipermercado foi inventado pelo Carrefour na França há mais de 50 anos e sua participação no varejo vem gradativamente se reduzindo, apesar dos esforços de reinvenção do conceito que teve seu projeto mais ambicioso feito pelo próprio Carrefour com sua proposta Planet, recentemente abortada em sua expansão pelo atual CEO, Georges Plassat.

Na própria França o Casino vem tentando revitalizar sua operação Geant por meio de uma agressiva estratégia de preços enfrentando os bens posicionados Auchan e, principalmente, E.Leclerc, Systeme U e outros.  Mas nos diversos países desenvolvidos da Europa, inclusos Espanha, Itália, Inglaterra e demais, a questão se repete e a dúvida permanece: existe espaço para a continuidade do negócio dos hipers em mercados maduros e competitivos?

Mudança de comportamento de consumidores

A questão central no desafio dos grandes formatos de alimentos, na Europa e em outros países ou regiões desenvolvidas, está na mudança de comportamento de consumidores, mais maduros e demandando maior conveniência que, crescentemente, veem os hipers e seus similares norte-americanos, os supercenters, como inconvenientes em tempos de busca crescente por facilidade, menor tempo, menos stress, mais adaptabilidade a uma vida por si só mais estressada. Em especial nos grandes centros urbanos no qual o trânsito cria ainda mais contingências. E por conta disso, o surgimento de novos formatos, em especial os “drives” – híbrido de operação ativada pela internet e concluída num ponto de coleta de produtos, que pode ser até o anexo de uma loja tradicional – criaram uma nova realidade omnichannel, com mais de 2300 lojas na França e que se mostram mais rentáveis do que outras operações, em parte porque na composição de suas vendas as marcas próprias representam 23% dos SKUs disponíveis e 43% da venda.

Essa situação é absolutamente distinta em mercados emergentes onde os hipers e supercenters são vistos como verdadeiros templos de consumo por conta de sua oferta variada e imagem altamente promocional que enfeitiçam os novos consumidores com acesso a essa realidade recém-adquirida. Nas regiões emergentes do Brasil e de outros países latino-americanos ou na Rússia, Índia, China, Indonésia, Tailândia e outros tantos mercados, a afluência de público e o deslumbramento com a oferta e as promoções são o maior fator de atratividade e sucesso.

O fenômeno Alimentação Fora do Lar

À medida que o mercado cresce, amadurece e se transforma, outros formatos mais convenientes, que impliquem menor deslocamento e compras mais parcimoniosas, passam a crescer em preferência. Em especial quando se desenvolve a questão dos multicanais, com seleção de canais e formatos múltiplos de forma complementar de acordo com a categoria considerada, os produtos e o momento e as circunstâncias das compras. Mas essa realidade está e será cada vez mais impactada pelo crescimento irreversível da alimentação fora do lar no conjunto dos negócios em alimentos, que em mercados mais maduros, incluindo as regiões mais desenvolvidas do Brasil chega próximo a 50% do total de gastos nessa área.

Por conta disso, as redes de super e hipers em países mais maduros e desenvolvidos já estão começando a operar no setor de restaurantes e outros formatos entendendo que se desenha uma transformação estratégica e estrutural que pede uma revisão da mesma magnitude.

Mas esta é apenas a realidade do setor alimentar, aquele que em todos os mercados é o que maior participação tem nos dispêndios familiares. Em outras categorias como vestuário, esportes, material de construção ou outros bens duráveis temos o desenho de outras realidades, igualmente desafiadoras.

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