Indústria da Alimentação Indústria Nestlé pode reduzir portfólio por conta da desaceleração

A companhia de alimentos precisa retomar suas vendas, que desapontam os investidores há quatro trimestres consecutivos. Uma solução seria ficar menor. A multinacional informou que está “avaliando ativamente” suas 8 mil marcas para identificar aquelas que não estão se saindo bem, após registrar o mais fraco crescimento trimestral de vendas em quatro anos.

A Nestlé afirmou que terá problemas este ano para cumprir sua previsão de expansão anual das vendas de 5% a 6%, por causa da desaceleração nos mercados emergentes, da crise na Europa e dos desempenhos fracos de produtos dietéticos, águas e alimentos congelados.

O cenário aumenta a urgência com que o CEO Paul Bulcke precisa resolver o problema das áreas com desempenhos insatisfatórios, especialmente na medida em que seus concorrentes ficam mais enxutos. A Unilever, por exemplo, levantou mais de US$ 1 bilhão com a venda de ativos este ano, para se concentrar nos segmentos de shampoos e desodorantes, que estão crescendo mais, e seu CEO mundial, Paul Polman, já disse que mais vendas virão. A Kraft se dividiu em duas, a Sara Lee fez o mesmo e a Campbell Soup negocia boa parte de sua unidade europeia.

“Estamos falando de uma cirurgia e não de uma amputação”, disse Thomas Russo, sócio da Gardner Russo & Gardner, que investe na Nestlé desde 1987. “Eles alocaram capital para negócios com perspectivas de retornos elevados e você pode pensar que aqueles que ficaram sem capital acabarão sendo colocados à venda. Eu apoiaria isso.”

Este ano, a Nestlé reforçou uma ferramenta que chama de “metodologia celular”, que analisa mil unidades de negócios distintas nos 194 países onde atua, para ajudá-la a decidir quais devem receber mais ou menos investimentos.

Sobre negócios com problemas, Bulcke disse em uma apresentação a investidores em março: “ou você o coloca em termos aceitáveis e há um cronograma para isso, ou você o vende”. O diretor de relações com os investidores da Nestlé, Roddy Child-Villiers não revelou quantas das mil unidades apresentam desempenho insatisfatório.

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