Alimentação fora do lar Alimentação O preço da comida fora do lar mais que dobrou de 2003...

Há dez anos que comer fora de casa está mais caro do que a inflação no Brasil. Desde 2003, o preço da comida em bares, restaurantes e lanchonetes mais que dobrou. A alta, de 2003 até meados de 2013, chegou a 143%, bem acima da variação de 82% do IPCA-15, prévia do índice oficial de inflação, o IPCA –só muda o período de coleta, que se encerra no dia 15 de cada mês.

Mais caro do que a comida para consumir em casa.

O valor de uma refeição fora do lar atingiu a média de R$ 27,40 no fim de 2012. Já o valor médio recebido pelas empresas especializadas em fornecer refeições para coletividade, que servem, em média, 11,7 milhões de refeições por dia em empresas e instituições, há muito tempo está estacionado nos R$ 7,00, com pressão até para redução, uma vez que se trata de segmento bastante concorrido.

Por esse valor, o trabalhador tem acesso a uma refeição completa, composta por arroz, feijão, uma carne, salada variada, uma guarnição, suco e uma sobremesa. Acrescente-se ainda o constante acompanhamento de um ou mais profissionais da área de nutrição, o que garante a correta ingestão de uma alimentação balanceada aos trabalhadores.

Em sete desses dez anos, refeição, lanche e bebidas em restaurantes subiram mais do que a comida comprada para consumir em casa.

Aumentam as queixas de consumidores

Não é à toa que pipocam queixas de consumidores e movimentos como o Boicota SP, que explicitou preços abusivos e expô-los na internet, como um saco de pipoca vendido no cinema a R$ 22, uma esfiha no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a R$ 9,80 e um refrigerante de dois litros a R$ 18,90, servido nas mesas de uma padaria.

O site Boicota SP, criado pelo publicitário Danilo Corci, já tem 120 mil visitantes por dia.

“Tive a ideia porque gastava num chope e uns petiscos com amigos na Vila Madalena [bairro boêmio de SP] R$ 40 há um ano. A conta agora sai por R$ 80″, afirma.

Ele conta que já recebe reclamações de todo país e prevê publicar em meados deste mês também preços abusivos e nomes de estabelecimentos de outras cidades.

Aumentam os insumos e a demanda

Para especialistas, o hábito de comer fora encareceu mais do que a inflação com o aumento dos alimentos e custos maiores, como mão de obra (talvez o mais pesado com ganhos reais do salários mínimo nos últimos anos).

O economista da Fundação Getulio Vargas André Braz destaca outro fator de pressão, a disparada dos aluguéis comerciais. “Com a valorização imobiliária nos grandes centros urbanos, os aluguéis têm tido uma valorização relevante.”

Outro motivo para a alta é que o mercado de trabalho aquecido, que fez a renda subir e criou uma nova classe de consumidores, que passaram a frequentar mais restaurantes. Além disso, com o crescimento do emprego e mais mulheres no mercado de trabalho (e com menos tempo para cozinhar), comer fora tornou-se uma hábito mais frequente.

“Mais famílias têm ido usualmente a restaurantes, o que gera uma pressão de demanda. O consumidor, no entanto, deve impor o seu limite e reduzir as frequências aos locais que subirem muito os preços.”

Segundo Marcelo Moura, economista do Insper, o avanço do rendimento e do emprego fez crescer a demanda por refeições fora de casa e permitiu ainda “um repasse maior de custos mais elevados” dos estabelecimentos, sobretudo a mão de obra.

Insumos para comida em casa também sobe.

 

O curioso é que neste ano comer em casa subiu mais com o choque dos alimentos no Brasil devido ao clima desfavorável que fez disparar o preço de hortaliças, legumes e frutas –cujo caso emblemático é o tomate– e no exterior com quebra de safra de grãos em grandes produtores como os EUA.

Com isso, a alimentação no domicílio subiu mais (15,45%) do que fora de casa (10,49%). Em ambos os casos, porém, as altas superam as do mesmo período de 2012 e a inflação pelo IPCA-15 em 12 meses até abril (6,51%).

Comer em casa, porém, ainda é mais barato –custa, em média, um terço do valor da refeição em restaurantes, segundo especialistas.

O especialista da FGV, no entanto, diz ainda que a tendência para os próximos meses é de uma desaceleração dos custos do alimento, resultado da desoneração de itens da cesta básica, em vigor desde março, e de uma safra de grãos “mais robusta” neste ano.

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