Alimentação fora do lar Alimentação O que a gastronomia repercutiu na Virada Cultural

Na Virada Cultural, um evento gastronômico repercutiu mais do que qualquer show.  O Chefs na Rua (feira em que restaurantes vendiam versões mais baratas de seus pratos) atraiu um público maior do que o esperado e muita gente ficou sem comer. A multidão daquela madrugada serviu para que empreendedores se dessem conta de que em São Paulo há um público grande para esse tipo de proposta.

De lá para cá, a cidade vem se acostumando a versões diferentes de feiras de comida de rua, em que se podem conhecer novos pratos sem gastar muito. A dupla que está por trás do Chefs na Rua é formada por Maurício Schuartz e Daniela Narciso. Na Virada Cultural de, o evento gastronômico repercutiu mais do que qualquer show. A feira, que já teve três edições em grandes eventos culturais de São Paulo, traz apenas chefs com experiência em grandes restaurantes e que conseguem garantir a entrega de muitas porções de alimentos. São acontecimentos para multidões, que “não são para amadores”-ou seja, empresários ou cozinheiros que estão iniciando, afirma Schuartz.

Neste ano, a dupla lançou uma versão semanal e menor chamada Feirinha Gastronômica. A ideia é dar espaço a cozinheiros que estão começando a ficar conhecidos pelo público, para que testem seus produtos e percebam o mercado.

Schuartz diz que enxerga a Feirinha, promovida aos domingos na Vila Madalena (rua Girassol, 309), em São Paulo, como uma “aceleradora de negócios” de comida e alimentação.

O evento serve cerca de 12 mil porções a cada edição. São apenas 12 barracas, trocadas a cada semana. Interessados se inscrevem pelo site feirinhagastronomica.com.br. Não é preciso ser chef ou mesmo cozinheiro para se candidatar, apenas saber fazer um prato diferente.

O processo seletivo continua sob o crivo dos promotores, que ainda fazem uma curadoria a cada edição para que não haja repetição de ofertas (por exemplo, duas barracas de hambúrguer).

A dupla presta uma consultoria aos expositores: sugere preços, dá dicas para que o cozinheiro se prepare para ter pouca infraestrutura e ainda passa uma ou outra recomendação sobre a apresentação do prato.

A receita dos organizadores (no sentido financeiro da palavra) vem inteiramente do aluguel de barracas: R$ 500 cada, ou R$ 6.000 no total a cada domingo.

Ele diz que a operação não chega a ser muito lucrativa (ele tem custos com aluguel do espaço, segurança, bombeiros etc.), mas também não dá prejuízo.

A ideia é buscar patrocinadores que aceitem não interferir na escolha de ingredientes dos expositores.

A cozinheira Fernanda Valdívia, 28, que serve produtos artesanais no evento, considera que o que a Feirinha oferece (espaço e dois pontos de energia) é o suficiente para cobrir os R$ 500 do aluguel.

Fernanda expôs sua “terrine” em uma edição da Feirinha, que a ajudou a “analisar o produto” que vende e, claro, ganhar dinheiro. A “terrine” é um tipo de embutido, que Valdívia produz e comercializa sob encomenda na rotisseria Deli Garage.

Em uma edição, ela lucrou cerca de R$ 2.000. “Lotou. Minha barraca era cara, mas vendi até o último minuto e não tive que baixar o preço.” Uma versão com legumes era vendida a R$ 18, e uma de queijo de cabra, a R$ 20.

A consultora de negócios gastronômicos Maria Wilma Rispoli Marigo considera que esses eventos de gastronomia a preços acessíveis são uma boa maneira para se testar um produto, mas é importante ir além: “É preciso ver se o negócio só está indo bem porque está no meio da feira. Paulistano é louco por novidade e, no momento, está ávido por isso”.

Vender muito nesses eventos “não quer dizer que o negócio vai ter o mesmo sucesso”, afirma.

Marigo sugere ao empreendedor interessado em feiras de rua que defina o conceito do prato ou produto que quer vender e que circule pela cidade para ver se já há algo parecido em restaurantes.

Deixe uma resposta