Alimentação fora do lar O sucesso dos food trucks – O 1º Festival na Zona Norte...

A primeira edição do “Festival de Food Truck” ocorreu no último domingo, 03, e contou com 19 Food Trucks e Barracas que ficaram no estacionamento da BW Academia, na Zona Norte de São Paulo. O evento superou a expectativa de público, atingindo 6 mil pessoas, o dobro do esperado.

Comida a preço acessível

Presença de muitas famílias, gente da zona norte, ABC, Zona sul, enfim, de todos os lados da cidade de São Paulo vieram conhecer o evento. Sendo considerado um evento para toda a família, a variedade gastronômica apresentada agradou a todos os paladares. Tnha espaço para Pizza e Cerveja artesanais, picolés gourmets, cozinha asiática, entre outras delícias, sempre a um preço camarada.

A denominação food trucks se tornou genérica: vale pra kombi, van, trailer, furgão, caminhonete e caminhões (que no máximo podem ter 6,30 metros de cumprimento) que preparem e vendam alimentos. Ainda que as precursoras, as carrocinhas de cachorro-quente, permaneçam no topo da lista, hoje há food trucks de bolo caseiro, massas, comida baiana, hambúrguer, sorvete, vinho.

Em sete anos mais de 3 mil veículois

Celso Ricardo de Oliveira, mecânico da Bumerangue Reboques, na Penha, e vice-presidente da Associação Paulistana de Comida de Rua. Hoje, um especialista em food truck. De janeiro para cá, ele já adaptou 45 veículos. E, no momento, tem na fila de espera mais de duas dezenas de chefs e pequenos empreendedores do País. “Apesar de adaptar quase dez trucks por mês, meu prazo de entrega atualmente é de pelo menos 90 dias”, conta Celso.

food truck I

O que ele faz exatamente é turbinar os freios e a suspensão – eventualmente desloca o motor do capô para debaixo da cabine (assim o motor não “rouba” espaço do truck) – adaptar e equipar o interior com o que for preciso (pia, forno e fogão, fritadeira e chapa, exaustor, geladeira e freezer…), customizar o exterior e ainda garante que o carro seja homologado pelo Imetro e pelo Denatran para depois poder circular pela cidade ou se instalar numa de suas feiras gastronômicas. Em sua trajetória, ele fez mais de 3 mil em sete anos, incluindo unidades para Bolívia, Colômbia, Argentina e países da Ásia.

Um pacote assim não é barato. A adaptação em uma Kombi pode custar de R$ 10 a R$ 60 mil. Um furgão, como uma Sprinter, de R$ 30 a R$ 120 mil, e um caminhão não sai por menos de R$ 50 mil. Há coisas aparentemente inofensivas, como uma cafeteira profissional, que podem encarecer o projeto: “Uma máquina de café consome muitos watts e isso implica a instalação de um gerador potente”, explica o especialista. Uma boa fritadeira também vai implicar uma coifa de excelência com carvão ativado.

No Brasil está começando

food truck II

Celso é o responsável pelas kombis Rolando Massinhas (que também incluem a Rolando Churrinho e ficam estacionadas na Av. Sumaré, mas que também participam de eventos), pela Baianada (especialista em baião de dois e outras delícias nordestinas e que tem ponto fixo na Rodovia Anhanguera, mas também participa do Pátio Gastronômico da Casa Verde), pelo truck EATinerante do chef Alex Caputo (que participou de festivais como o Lolapalooza vendendo sanduíches fartos, como o de almôndegas e os panini de panceta e de costela), pelo Massa na Caveira (que vende pizzas fininhas na Avenida Braz Leme e também adere a feirinhas) e pela Dogueria (na Chácara Santo Antônio), entre outros.

Com tantos pedidos criativos, muitos chegam a ser engraçados: “uma vez um cliente queria que pintássemos sua van inteira com folhas de maconha e o nome Laricando. Pensei: com esse nome e essa customização, ele não vai ser autorizado a participar de nenhum evento gastronômico. Como o produto dele era muito bom, um lanche preparado no broiler, convenci o cara a adaptar a ideia. Hoje o tema da van dele é reggae e o nome, Fome de Leão”, conta. “Acho que o trailer mais engraçado que fiz não é de comida, porque com comida tem questão de segurança, vigilância sanitária e as pessoas têm medo. Mas fizemos um trailer motel que circula no Mato Grosso e foi bem divertido”.

Atualmente, em São Paulo, os trucks propriamente ditos não chegam a cem. Mas considerando hot dog e outras vans, os pontos de comida de rua passam de mil. E eles não param de se multiplicar, a exemplo de Los Angeles, a pioneira e a capital mundial dos food trucks. La tem caminhões que vendem escargot ou churrasco brasileiro, van de comida coreana e vietnamita, trailers de cupcakes e panquecas, além das centenas de veículos especializados em hot dogs incrementados.

É até possível que São Paulo esteja simplesmente importando essa moda, como outras cidades americanas já fizeram. Mas não foram só elas: Paris, Berlim, Sidney e Londres são provas cabais de que a onda se espalhou por outros continentes. E, a bem da verdade, em épocas que a abertura de qualquer restaurantezinho não sai por menos de R$ 1 milhão, posicionar a cozinha sobre rodas parece economicamente mais atraente, mais viável. Melhor: o negócio tende a atingir um público cansado de casas de menus repetitivos, preços abusivos e serviço negligente.

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