Diversos OMS coloca carne processada na lista de produtos cancerígenos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um relatório no inicio da semana (26) a respeito do consumo de produtos como salsicha, linguiça bacon e presunto. Segundo a entidade, as carnes processadas aumentam o risco de câncer do intestino em humanos.

Esses alimentos foram incluídos na lista do grupo 1 de carcinogênicos, enquanto as carnes vermelhas foram colocadas como fator de risco “provável” (produto capaz de provocar câncer) na lista do grupo 2A. O documento foi elaborado pela Agência Internacional de Pesquisa do Câncer (IARC, sigla em inglês), vinculada à OMS.

Segundo Kurt Straif, membro da IARC, o risco de desenvolver câncer por consequência da carne processada cresce conforme a quantidade de carne consumida. Já Christopher Wild, diretor da IARC, declarou que o resultado não deve ser encarado de maneira alarmista, mas enfatiza que as descobertas apóiam as recomendações para a limitação do consumo de carne.

Após a divulgação do relatório, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) publicou uma nota com a finalidade de situar os consumidores brasileiros em relação à questão. Segundo a entidade, os produtos  processados feitos no país são seguros e seguem as mais rígidas normas internacionais de segurança alimentar.

“A ABPA destaca, ainda, que o próprio coordenador do estudo, Kurt Straif, explicita que o risco de desenvolver câncer frente à ingestão de carnes processadas é pequeno, ocorrendo apenas diante de um consumo descontrolado, em desequilíbrio com uma dieta saudável”, publicou em nota à imprensa. Para a associação, o consumo excessivo de quaisquer nutrientes poderá ser nocivo à saúde.

Nesse contexto, a ABPA explica que diversos fatores influenciam a ocorrência da doença em questão, como genética, hábitos alimentares, tipos de dieta e outros.  Dessa forma, não é possível apontar um único elemento como causador do problema. A entidade finaliza destacando que os produtos da suinocultura e da avicultura do Brasil são seguros e compatíveis com uma dieta saudável e equilibrada.

Após alerta, consumidor mantém hábito alimentar de consumir carne processada

O consumo de carnes processadas não é bem visto pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que alertou na semana passada para o risco de se adquirir câncer colorretal, ao se consumir o produto.

Segundo um relatório realizado pela Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (Iarc) e publicado no periódico científico The Lancet, a ingestão de cerca de 50 gramas desse tipo de alimento por dia aumenta em 18% a chance de desenvolvimento de câncer color retal, neoplasia maligna que afeta o intestino grosso e/ou reto, podendo comprometer outros órgãos.

As carnes processadas são alimentos modificados por fumagem, adição de sal e conservantes, para que o sabor seja alterado e para que tenham maior prazo de validade. Segundo o relatório, essas modificações são as responsáveis pelo aumento do risco de câncer.

“Para um indivíduo, o risco de desenvolver câncer colorretal (intestino) por causa do consumo de carne processada permanece pequeno, mas este risco aumenta dependendo da quantidade de carne consumida” diz o documento.

Em uma visita feita a um supermercado do bairro da Serraria, em Maceió, a reportagem foi ouvir do consumidor como anda a qualidade da alimentação e se consomem esse tipo de produto indicado na pesquisa, como presunto, linguiça, bacon, entre outros.

Três pessoas entrevistadas disseram que procuram variar o cardápio, mas não deixaram de comer carnes processadas ou não, por conta de ameaça de câncer ou de outra doença.

Consumidor diz que procura variar

Eraldo Galvão da Silva disse que ouviu falar a respeito da pesquisa da OMS indicando que o consumo de carnes processadas – como bacon, presunto, salsicha e linguiça – fazem mal à saúde e podem provocar câncer.

Ele disse que procura variar a alimentação: “Como mais fígado, frango, bisteca; carnes processadas quase nunca, mas se me der vontade eu como, não com muita frequência, mas moderado”, explica.

Seu Eraldo disse que come muitas verduras diariamente, mas que consome muito fígado toda semana. “Às vezes eu passo até uma semana sem comer carne vermelha ou processada. Como peixe (sardinha) e saio variando”, disse o consumidor.

ATENTA

Dona Sônia Maria também disse que está atenta para essa questão da saúde e que procura variar sua alimentação, mas que come mais peixe do que outros produtos como carne ou processados. Até porque, segundo ela, esses alimentos estão mais caros.

“A carne está pela hora da morte, esses outros produtos também. Procuro comer mais peixe porque moramos perto da praia e é mais saudável”, disse ela. Dona Leonice Balbino disse que sabe há muitos anos que esses alimentos fazem mal à saúde.

“A gente já sabe disso há muito tempo, mas nem por isso deixamos de consumir. Lá em casa estou com um problema e não sei o que faço mais. Um diz que não aguenta mais carne; outro diz que não aguenta mais aquilo outro e eu procuro variar e digo: ‘me digam o que querem comer, que eu não posso adivinhar’”, observa.

“Todo ano saem pesquisas contraditórias”

Dona Leonice Balbino disse que todo ano saem essas pesquisas. “Lá em casa são muitas pessoas e procuro variar. Se a gente for deixar de comer por causa dessas pesquisas, morre. Eu acho que tudo é quantidade. Se você come um alimento exageradamente, ele vai fazer mal à saúde”, avalia a consumidora.

A dona de casa avalia ainda que se o cardápio diário for balanceado, não tem problemas à saúde. “Na minha casa, por exemplo, eu compro mais frango e tiro couro e toda gordura; mas gosto de uma carne guisada com batata, chã de dentro, alcatra ou de vez em quando outro produto”, destaca.

Segundo ela, quando vai procurar um produto no supermercado observa o preço e a qualidade. “Eu não compro qualquer carne ou produto: primeiro vejo a qualidade. Muitas vezes tem um produto barato, mas eu não quero nem de graça. Se eu cismar da cara de uma carne, por exemplo, não quero nem saber. Fui criada numa família que consumia muita carne, de todo tipo; minha mãe morreu com 84 anos”, disse ela.

NUTRICIONISTA

A nutricionista Alexandra Brito observa que tudo depende do equilíbrio de uma boa alimentação: “É verdade que as carnes processadas contêm quantidades de gordura saturada e colesterol; em média, quatro vezes mais sódio e 50% mais conservantes à base de nitratos do que a carne fresca. A OMS acertou pelo alerta, mas não é fácil mudar hábitos alimentares de um dia para o outro”, pontua.

A Ordem Nacional dos Nutricionistas (ONN) congratulou-se com a classificação da OMS para os alimentos processados e carnes vermelhas como cancerígenos, considerando ser uma oportunidade para aumentar o consumo de hortofrutícolas.

“Se sabemos que há uma relação entre os hábitos alimentares e a saúde e que os erros alimentares podem levar a doenças, então devemos pensar nos alimentos que devem ser a base da nossa alimentação”, afirmou a ONN.

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