Alimentação fora do lar Por um pão mais acessível e de melhor qualidade. O projeto que...

Presidente da Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (Abip), José Batista de Oliveira diz que as principais prioridades da entidade, que representa mais de 64 mil panificadoras de todo o País, são a desoneração do pão e dos produtos de confeitaria, a promoção da melhoria da qualidade do produto, e a consolidação do processo que está fazendo das padarias um autêntico centro de convivência para o consumidor brasileiro.

Entrevista do Presidente da ABIP

O consumo per capita de pão ainda é muito acanhado no Brasil. Como é possível promover seu crescimento? De fato, o nível de consumo, na faixa dos 34 quilos/habitante/ano, é pouco mais da metade dos 60 quilos/habitante/ano recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), órgão da ONU. No entanto, países de condições sócio-econômicas similares às do Brasil, como Argentina e Chile, consomem mais de 70 quilos/ano e 90 quilos/ano. Ou seja, há espaço para crescer. Para tanto, o pão deve tornar-se mais competitivo e apreciado pelo consumidor.

E como isso seria possível? Por duas iniciativas, basicamente. A primeira delas consiste na desoneração do produto. Apesar de ser um alimento básico, definitivamente incorporado ao cardápio do brasileiro, o pão é um produto tributado – situação que nos parece extremamente injusta. Neste sentido, a Abip está prestando todo o seu apoio para que seja aprovado o projeto de lei 63/2011, de autoria da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e relatado pelo senador Cyro Miranda (PSDB-GO). O projeto já foi aprovado pela Comissão de Assuntos do Senado e, além de seu impacto positivo para a saúde e nutrição dos brasileiros, é também de grande importância sócio-econômica.

Em que sentido? Na medida em que a panificação é uma grande demandadora de mão-de-obra. O setor emprega de 802 mil trabalhadores diretamente e responde por 1,85 milhão de empregos indiretos. A desoneração do pão, neste sentido, vai se traduzir no aumento do consumo do produto e na criação de milhares de postos de trabalho. É importante dizer que o setor cria um novo posto de trabalho com um investimento médio de somente R$ 14.700,00

O sr. falou que o aumento do consumo também depende de ações para tornar o pão ainda mais apreciado pelo consumidor. É verdade. O setor precisa investir para promover a melhoria da qualidade do produto. E a lição de casa começa a ser feita, com a realização de programas e cursos técnicos que a Abip está conduzindo e todo o Brasil, a partir do projeto de melhoria de qualidade do pão francês, com o apoio de instituições técnicas, entidades e empresas privadas. Começamos a receber padeiros franceses por meio de parceria do Senai com órgão internacional e isso é apenas o começo.

As padarias estão se transformando em autênticos centros de convivência para o consumidor brasileiro. O que está provocando essa transformação? Foi a necessidade de o setor se reinventar, como resposta ao processo de expansão vivido pelas grandes redes de supermercados nos anos 1990, que passaram a incorporar os chamados pequenos negócios, sufocando, assim, a atividade de mercearias, quitandas, açougues, peixarias etc. Essas redes também passaram a produzir e vender pães e produtos panificados, o que levou a Abip a deflagrar um processo de modernização, passando desde a atualização em técnicas e sistemas de gestão, até à prestação de serviços diferenciados, lay-outs das lojas, processos de produção mais eficientes etc. etc. Foi uma verdadeira revolução, que resultou em novidades e comodidades para o consumidor, como a prestação de serviços de delivery, refeições, happy-hour, oferta de produtos horti-frútis, vinhos, sopas, horário de atendimento ininterrupto (24 horas), disponibilidade de wi-fi, etc. etc. E tudo isso sem perder o foco no pão, que continua e continuará sendo o carro-chefe da panificação. Vamos fortalecer ainda mais o pão dentro deste novo modelo de negócio e o caminho é a ampliação da qualidade.

 

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